BlaZzZzZz

Oie!

Certo dia, estava eu, linda e concentrada, assistindo à aula do orientando da minha professora de Teoria da Comunicação II (que explica muuuuuito melhor do que ela), quando ele citou um texto chamado “A metrópole e a vida mental”. Ele explicou que o autor, Georg Simmel, fala sobre como a vida nas cidades gera algumas consequências nas pessoas. Pra se defender dessas consequências, eles adotam uma série de comportamentos: estabelecem contatos superficiais, procuram se intelectualizar e, acima de tudo, começam a ter o que ele chama de “atitude blasé”.

Tanto faz o que mais dizia o texto, porque eu não fui procurar para ler (preguiçaaa) e nem interessaria a vocês caso eu tivesse. A questão é que eu comecei a pensar sobre isso, e é claro que não prestei mais atenção alguma no resto da aula. Aliás, já anotem aí uma informação sobre mim: eu penso demais. Começo a filosofar até quando tô no ônibus indo pros lugares. Aí, vou emendando um pensamento no outro e consigo chegar, partindo de uma reflexão sobre a vida, à conclusão de que papagaios são mais legais que calopsitas (porque, afinal, eles falam!!!). Ou então passando do ponto onde tinha que descer.

Então, vamos lá…

A definição do dicionário

Blasé: adj. e s.m. (pal. fr.) – Profundamente entediado de tudo, na realidade ou por afetação; indiferente, apático, que não demonstra emoção; arrogante, com ares de pompa; cheio de si.

A minha definição

Gente que tá sempre com cara de cu. Nada é empolgante, nada é engraçado, tudo é muito last season e, nossa, como é difícil viver nesse mundo sem graça *lixando as unhas*. Palavra preferida: whatever.

Ou seja, se você tiver diálogos mais ou menos assim:

– Oi! Tudo bem?

Resposta:

proust1

– Ai, você não sabe! Jennifer Lawrence caiu na escada do Oscar!

Resposta:

Walter-Gropius

– ALGUÉM ME AJUDE, POR FAVOR!!! O BEBÊ VAI NASCER!!! AAAIIII!!!

Resposta:

blase

Já sabe que encontrou um sujeito da espécie.

Mas isso é só pra quem é totalmente alienado e ainda não sabia do que se tratava. Porque tá na moda, né, galera? O que mais se vê por aí são pessoas que não mudam suas expressões de indiferença e/ou desdém por nada, que classificam tudo como “mais do mesmo” e parecem já saber há séculos de toda e qualquer informação recebida, até quando se trata de algo que aconteceu no dia anterior. Pessoas que se acham donas exclusivas da verdade. Temos de admirá-las por serem tão jovens e, ainda assim, tão vividas… Ah, peraí, né?

Eu, particularmente, não sou fã desse tipo de atitude. Só que, curiosamente – e é aí que entra a minha reflexão -, já me peguei fazendo uso dela. Exemplos? Quando passa alguém vestindo uma roupa muito brega ou espalhafatosa na rua e eu faço aquela cara de desprezo, como quem diz “nosssssa, que vergonha alheia”. É involuntário e eu faço mesmo, confesso. Ou quando algum desconhecido vem falar comigo e eu respondo meio monossilábica, não dando muita atenção. Vai saber qual é a intenção da criatura, né? Claro que nada disso é muito grave, alguns devem ter se identificado (por favor, identifiquem-se ou vou me sentir uma chata antipática!!!!) e estão pensando que isso não tem nada a ver com atitude blasé, que são reações naturais para coisas que acontecem no dia a dia.

Concordo com vocês, é natural. Daí a ser necessário, já é outra história. Essa mania que a gente tem de julgar o outro e de estar sempre na defensiva nos foi ensinada pela sociedade em que vivemos, como o próprio cara lá do começo, o autor do texto, disse. Só que, a partir do momento em que julgamos, assumimos sermos melhores que o nosso objeto de julgamento. Aí, estamos, sim, nos igualando aos que enxergam tudo como se fosse bobagem. Alerta blasé apitando!

Da mesma forma, se tratamos pessoas de maneira desatenciosa só porque não as conhecemos, construímos uma barreira em volta de nós mesmos, como se só o que importasse fosse o nosso próprio umbigo. Olha o alerta blasé apitando de novo! Óbvio que esse mundo tá um perigo e não dá pra sair confiando em qualquer um. Mas será que a gente não acaba usando essa desculpa pra ignorar umas pessoas que não têm nada a ver com a história?

O que eu quero dizer, com tudo isso, é que a minha aula de Teoria me deu vontade de ser uma pessoa mais humana. Quem foi que disse que a gente precisa saber sempre de tudo? Quem foi que disse que a gente precisa parecer superior? Quando a gente tenta isso, aliás, acaba conseguindo o contrário. Não é crime se empolgar com uma notícia, mesmo se for coisa boba e sem importância maior para o resto da humanidade. Também não custa nada ser legal com o próximo. Costuma fazer bem pra ambas as partes. E, acima de tudo, não precisamos fingir que não nos importamos com as coisas só para tentar parecer cool.

Cês entenderam? Esse post ficou muito auto ajuda?

Fica aí um tema para ~reflexão~. Agora, se você achou isso tudo com cara de blábláblá politicamente correto, coisa de gente mimizenta, frescura total, e tá fazendo essa cara pra mim:

magrelo

Aguarde o meu próximo post. #suspense

É isso, pessoal. E vocês, o que pensam sobre atitude blasé? Beijinhos sorridentes e saltitantes (ai, aff *revirando os olhos*, olha que menina falsa, feliz demais, o ó!!!).

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Comments
2 Responses to “BlaZzZzZz”
  1. Larissa says:

    Ah seu texto me fez pensar que, eu sou meio a meio, haha, eu uso essa coisa blasé (é assim que escreve?) pra gente que eu não gosto, reviro os olhos pra pessoa respirando SOCORRO, mas fora isso eu sou super simpática e feliz com todo mundo, meio estranho, mas eu sou a pessoa que chega na escola 6:40 da manhã sorrindo e falando bom dia e alegre e pulando e gritando, porque gosto de ver o lado bom de tudo e acordar e uma coisa boa ne?! De qualquer modo, sempre penso em ser uma pessoa melhor, acho que é um jeito legal de levar a vida, sei lá, gostei bastante do texto e cara sou igual você, começo a filosofar sempre em qualquer lugar e a todo momento, faz parte de mim! haha
    beijão
    http://sempizza.blogspot.com.br/

    • L says:

      É, todo mundo acaba sendo de vez em quando, acho que o importante é não exagerar, não transformar isso no seu jeito de ser, né? Espero que esteja curtinho nosso blog. Beijinhos!

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