There’s no place like home!

Olá, gente,

se você leu o título do post e não associou imediatamente a um dos clássicos mais famosos e recém-desencavados do século XX, você não é tão maníaco quanto eu! Hahahaha A frase é uma das mais memoráveis de um filme, certamente, memorável (no mínimo, um must): The Wizard of Oz. Sim, O Mágico de Oz! Aproveitando toda a onda do novo filme-releitura que acabou de estrear, ”Oz, Mágico e Poderoso”, com o James Franco, vou tirar uma casquinha do blog pra falar de uma das minhas maiores fissuras cinematográficas (já há algum tempo). E são muitas. Hahahaha

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Para quem nunca viu (e vejam!), O Mágico de Oz é basicamente a história da menina Dorothy, que mora em uma fazenda no interior do Kansas, EUA, com seus tios, alguns ajudantes da fazenda (que, por ventura, são grandes amigos de Dorothy), e claro, seu amado cachorrinho, Toto. O grande problema da vida dela é que Toto vive fugindo pra fora dos limites de sua fazenda, para as terras de uma ranzinza latifundiária proprietária de mais da metade da região onde eles moram, para importunar o gato da velha, que profere mil ameaças contra ela e Toto. No entanto, certo dia ela cumpre suas ameaças e leva Toto consigo. Amargurada, Dorothy foge e jura nunca mais voltar para seus amados tios (Tia Emily e Tio Henry). E é no meio de sua fuga que Toto, tendo fugido do cestinho que a bruxa velha o trancafiou se junta a Dorothy. E fogem juntos.

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Dorothy importunando seus tios sobre as façanhas de Toto

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Zeke, Hunk e Hickory. Os amigos de Dorothy.

A lendária ''Somewhere Over the Rainbow''

A lendária ”Somewhere Over the Rainbow”

Mas é quando ela foge que uma tempestade catastrófica toma início no Kansas. Todos se refugiam em um porão preparado, mas Dorothy percebendo que foi um erro ter fugido de casa, chega no último minuto, apenas para ficar de fora. Ela ainda tenta se proteger dentro de casa, mas em vão, pois o furacão a engole, com casa e tudo. E é quando, finalmente, ela pousa em Oz! Aí a estória toma outro rumo, outra figura, e até outra fotografia, pois a imagem em tom sépia (usada apenas para representar a contraposição entre um mundo mágico e um mundo não-mágico) se transforma num rajão de cores vibrantes no montado cenário de Oz dos anos 30.

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wizz modifiedAo chegar em Oz, Dorothy é informada por Glinda, a Bruxa Boa do Norte (uma bruxa boa, como ela nunca viu uma bruxa ser) que sua casa caiu em cima da Bruxa Malvada do Leste, que escravizava os Munchkins (criaturas miúdas nativas de Oz), e que agora será eternamente adorada por eles. No entanto, alguém não fica feliz com as boas notícias: a Bruxa Malvada do Oeste (irmã da do Leste), que jura destruir Dorothy e seu cachorro. E tudo que a Bruxa mais quer são os sapatos mágicos de rubi da irmã, que agora pertencem à Dorothy, que, tecnicamente, foi quem a matou (todo o desejo da Bruxa se reflete nesses sapatos). Apesar de imensamente celebrada pelos pequenos cidadãos de Oz, tudo que a menina quer é voltar para casa e ficar com sua Tia Emily, o que Glinda a ensina que só o Grande Mágico de Oz é capaz de lhe conceder esse desejo de sair de Oz. Então ela se encaminha pela única estrada que parece levar a algum lugar em Oz, a Estrada de Tijolos Amarelos, para chegar na Cidade das Esmeraldas, onde o Mágico vive com seus súditos. ”Follow the Yellow Brick Road to get to the Emerald City!”, diz Glinda. Nessa jornada, ela conhece três grandes amigos que não só vão ajudá-la com seu destino, como também tem eles mesmos algo a pedir ao Grandioso Oz: o Espantalho, o Homem-de-Lata e o Leão Covarde, que desejam um cérebro, um coração e coragem, respectivamente. UFA, muitas terminologias de Oz! Hahahaha Ao chegar na Cidade das Esmeraldas, o Mágico os diz que só os concederá seus desejos se eles matarem a Bruxa Malvada do Oeste e o trouxerem sua vassoura. Assim dito, eles partem numa nova viagem ao castelo da Bruxa. A partir daí, coisas inusitadas, surpreendentes e mesmo tristes acontecem. Mas, vou deixar pra vocês verem o filme. Não posso acabar com todas as surpresas, né? Hahahaha

PS: percebam as semelhanças entre aqueles que rodeiam a vida de Dorothy no Kansas com aqueles que rodeiam sua vida em Oz.

Glinda e Dorothy

Glinda e Dorothy

A casa de Dorothy sobre o que restou da Bruxa Malvada do Leste.

A casa de Dorothy sobre o que restou da Bruxa Malvada do Leste.

A Bruxa Malvada do Oeste

A Bruxa Malvada do Oeste

O Leão, Dorothy, O Homem-de-Lata e o Espantallho, seguindo a Yellow Brick Road para chegar na Emerald City

O Leão, Dorothy, O Homem-de-Lata e o Espantallho, seguindo a Yellow Brick Road para chegar na Emerald City

Muito mais que uma história boba sobre uma garotinha que se vê entre bruxas numa terra mágica e sua vontade de voltar para casa, The Wizard of Oz é carregado de filosofias a todos aqueles que desejam um mundo melhor e sem preocupações. Não podemos esquecer que foi uma estória revivida por Hollywood no exato ano em que se iniciou a Segunda Guerra Mundial (1939). É uma válvula de escape para a qual podemos fugir se apenas fecharmos os olhos e pensarmos muito forte. Oz estaria, segundo a moral do filme, dentro de cada um de nós. Uma terra na qual ”os sonhos que você ousa sonhar se tornam realidade, os passarinhos azuis cantam pelo céu e as balas de limão derretem pela boca”. Uma terra que está apenas ”além do arco-íris.”. Não à toa, o filme começa com uma dedicatória a todos os fãs: ”Por quase 40 anos esta história serviu aos Jovens de Coração e o Tempo foi incapaz de colocar fora de moda a sua filosofia.” E vou além: não há sonho que não possa ser sonhado, se vencermos nossas Bruxas e seguirmos a Estrada de Tijolos Amarelos. No final, sempre tem uma Cidade das Esmeraldas.

E, é sabendo, do redemoinho de possibilidades para sub-estórias que o conto carrega, que foram desenvolvendo-se diversas fábulas, peças e livros paralelos ao Mágico de Oz. Afinal, o filme nos apresenta uma visão muito pessoal da própria Dorothy e seus devaneios por um lugar mágico. Mas e quanto a todos os outros personagens? E as Bruxas? E o Mágico? E os Munchkins? Quem são eles? Da onde vieram e para onde vão? Todos os fãs queriam saber mais. E foi partindo desse almejo que uma nova história surge no mundo contemporâneo: ”Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West” (1995), ou, simplesmente, ”Maligna”, no Brasil, que para os que não sabem, é justamente o significado da palavra WICKED. Malvada, perversa, maligna.

O livro

O livro

Wicked se propõe a contar a história de vida da Bruxa Malvada do Oeste (MUITO antes da chegada de Dorothy na terra) agora com um nome: Elphaba. Sua infância, adolescência, paixões e amizades. Ela e Glinda teriam sido amigas na escola de magia de Oz? Por que ela nasceu verde? Quando ela começou a ficar malvada? A ideia foi tão surpreendentemente boa na época que resolveram musicalizá-la e criar o até então hit da Broadway, ”Wicked: the untold stories of the Witches of Oz.” (A História não-contada das Bruxas de Oz). Que, deixe-me dizer, é simplesmente fabuloso, as músicas são divinas e a história é para um fã como sangue é para um vampiro (vi, finalmente, depois de três anos como um sonho, na minha recente viagem a NY). O musical vai tocar, exatamente, na parte que concerne aos fatos que levaram Elphaba ser tachada de malvada. Desde criança rejeitada pelo pai por ter nascido verde (fato este que não vou revelar a razão – Muahahaha) e futuramente pelos seus colegas de escola, Elphaba se acostuma com a solidão e as zombarias de seus colegas, – uma em particular: Glinda, uma loira mimada e popular na escola – e resume sua vida ao grande talento com o qual nasceu: os feitiços. Um futuro promissor com o Mágico de Oz é tudo que sempre sonhou. Ao passo que tenta se socializar na escola, surge uma amizade improvável entre as duas bruxas Glinda e Elphaba.

O cartaz do musical representando as duas Bruxas.

Glinda ajudando Elphaba a ficar mais bonita e popular.

Não quero me prolongar com muitos detalhes aficionados do musical e vou deixar àqueles que ficarem curiosos a pesquisa. Fato é que quando Elphaba finalmente se vê próxima de encontrar o Mágico descobre sobre ele e sobre Oz segredos inimagináveis (segredo este muito semelhante ao que Dorothy descobre no clássico), e decide fazer justiça com suas próprias mãos. Desafiando o governo do Mágico e procurando o bem a todos os cidadãos de Oz. Com a música mais emblemática do musical, ”Defying Gravity”, jura que não vai mais se sentir presa, com medo e afrontada por ninguém, e que agora só vai desafiar a gravidade. E é a partir desse momento desafiador que Elphaba começa a ser vista como malvada. Vendo seu governo finalmente ameaçado, o Mágico espalha a notícia de uma Bruxa extremamente perversa querendo caluniá-lo e desonrá-lo, que tendo como seu aliado a ”verditude” de Elphaba, não encontra obstáculo para convencer seus súditos e se manter no poder. A amiga Glinda, por outro lado, se vê amedrontada pela coragem de sua amiga, e ingênua, prefere seguir o caminho de figura pública popular, adornada de elogios pelos cidadãos de Oz, fingindo não saber da verdadeira bondade da tão odiada Bruxa Malvada do Oeste. É claro que, ao final da peça, tudo se resolve, mas não da maneira exata e padronizada de um final-feliz que se espera. Wicked é, de fato, mágico.

Dorothy, o Espantalho, o Homem-de-Lata e o Leão Covarde ainda aparecem. Mas de forma a contar a precedência de cada um deles antes de Dorothy cair em Oz. Não é em vão que o slogan do musical é: ”So much happened before Dorothy dropped in.” (Muito aconteceu antes de Dorothy pousar)

Defying Gravity

In the Emerald City

Novamente encontramos muito mais do que uma estória sobre Bruxas. É um musical repleto de críticas, como à política (no momento que se espalha mentiras sobre alguém, e se encontra pessoas suficientemente simples para se acreditar, por publicidade, para que se possa garantir a segurança e manutenção do seu próprio poder. E não é exatamente o que os Estados Unidos tem feito desde que se instituiu hegemonicamente? Com a URSS, Cuba, Iraque, e agora, Coreia do Norte e Irã.) e aos rótulos (não julgue um livro pela capa. Ela só era verde. Não maligna). E, como sempre, encontramos a imagem da terra dos sonhos ilustrada em Oz. Uma terra onde se é possível sonhar. Basta você ”desafiar a gravidade que ninguém vai te derrubar.” Por isso o filme e o musical são mais que recomendados por mim. Para quem ficou com vontade segue aqui a trilha sonora do musical, e claro, a música mais famosa dele:

Já tivemos uma Oz à Dorothy e uma Oz às Bruxas. Mas e o Mágico de Oz? Quem ele é? Como ele chegou em Oz? Pelo mesmo furacão que levou Dorothy? O que ele achou de ser aclamado como o Maravilhoso Mágico? Prefiro não me prolongar quanto a essas respostas, pois são cruciais também para os motores tanto de Wicked quanto o de The Wizard of Oz. Mas digo que muitas respostas, ainda assim, foram complementadas pelo novo filme da Disney, com o James Franco, ”Oz, Mágico e Poderoso”. Como fã fanático da história, fui conferir o filme na primeira semana. Com alguns personagens diferentes e nunca mencionados antes em nenhuma versão de Oz, o filme viaja um pouco além demais do arco-íris, acrescentando Bruxas inexistentes no reino. Porém, ainda foi um prato cheio para mim e um estudo completo para responder a todos meus estudos de Oz! Hahahahahaha Portanto, confiram também! Pois mais uma vez fui transportado de forma diferente para Oz. E cada vez que sou, é mais mágico que da primeira vez.

Como o Mágico chegou em Oz?

Se ao terminar de ler esse post imenso vocês não se sentirem compelidos a assistir, ao menos, o filme no cinema, então falhei. Hahahaha

É isso, gente. E vocês? O que acham do Mágico de Oz? Ficaram curiosos ou já eram fanáticos como eu? Já viram o clássico? Wicked? O filme-releitura? Contem aqui nos comentários o que vocês acham desse conto maravilhoso!

Agora eu vou passar meu Sábado em casa assistindo The Wizard of Oz, porque depois desse post não teria como ser diferente. Aah, não há lugar como o nosso lar.

PS: peço desculpas pelo atraso com o post, que acabou sendo um post de Sábado, e não de Sexta.

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