Falar sério? Seriously?

Olá, gente!

Hoje eu quero falar de um comportamento muito peculiar que eu venho observando nas artes, política, música, mídia, esportes. ENFIM, em todo lugar! É algo que eu não sei dizer se vem me incomodando, e digo mais: não sei dizer nem se me importo; e se me importo, até que ponto? Ninguém tem levado nada a sério! Eu digo, as coisas parecem que surgem puramente com o intuito de fazer piadas, ironias, palhaçadas, aparecer na mídia, e depois ser engolido pela atmosfera da Internet. E para quê? Para nada. Como eu disse: o intuito é PURAMENTE esse. Há algum tempo atrás, creio eu, que tudo que fosse publicamente apresentado se usava de uma imagem para designar um produto ou um serviço qualquer. Mas, hoje em dia me parece que a imagem fala por si só e não tem nada por trás ou por cima dela. É a imagem PELA imagem. E fim. Estar no foco é o objetivo. Não é preciso pensar muito. Basta um jingle chiclete, um remix na sua voz, uma roupa da moda, um bordão curioso ou uma ação inusitada (e o conceito de inusitado já nem é mais o mesmo – inventar moda é a palavra de lei). Não sei se todos vocês estão acompanhando meu raciocínio, então separei alguns exemplos.

'Do the Harlem Shake!''

‘Do the Harlem Shake!”

A tendência Harlem Shake é um exemplo: um grupo de amigos desocupados resolveram dançar loucamente ao som de uma música eletrônica. E meio mundo resolveu se divertir com isso. E colou. Tá, e daí? Eu até entendo que seja, de certa forma, uma espécie de manifesto ou querer dar a voz à juventude? Mas um manifesto a quê exatamente? Dar voz para que a juventude possa dizer o quê? A diversão pública não passa disso: diversão pública. E não seria ela uma forma de desviar a atenção, os esforços, a criatividade e o tempo humano para algo vazio e sem mensagem, de algo que poderia ter mais valor e dignidade? Como o quê, por exemplo, G? Não que eu seja a pessoa mais engajada com os problemas humanitários globais, guerra e miséria. Mesmo porque eu seria um hipócrita se dissesse que são minha prioridade. E não, também, que eu seja adepto do tédio e do trabalho exaustivo para que a humanidade sempre esteja construindo algo. Mas, não seria esse o caminho? (Com exceção da parte do tédio.) Não deveríamos todos contribuir, seja lá como, com alguma construção social que pudesse servir a nós mesmos – humanos – no futuro? Ainda que uma contribuição minúscula, como esse blog, ou com os estudos aos quais tanto nos sacrificamos porque ainda acreditamos, vaga ou piamente, que é possível fazer uma mudança no mundo! Do contrário, se não pensássemos assim (mesmo que seja um sentimento muito enterrado em cada um), não haveria motivo para continuar. Certo? Ou não. Não é isso que eu tenho visto. Tenho me deparado com uma inércia, falta de vontade, alienação e ignorância quase que integrais. Inclusive minha! E esse post serve em sua maior parte para que eu, também, acorde. Vamos falar sério, pelo menos alguma vez! Ou é essa a contribuição que quero(emos) deixar?

Babi raspa a cabeça em rede nacional.

Babi raspa a cabeça em rede nacional.

Ronaldo ganha 6 milhões de reais para emagrecer.

Ronaldo ganha 6 milhões de reais para emagrecer.

Lindsay Lohan chega no Brasil após receber condicional na Califórnia.

Lindsay Lohan chega no Brasil após receber condicional na Califórnia.

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A ironia vem sendo superestimada como qualidade louvável para conseguir passar pelo dia na sociedade de hoje em dia: ou você liga o ”foda-se” ou você vai sofrer, vai ter que engolir quieto. Por que fazer vista grossa, ser blasé e sarcástico com tudo é melhor do que realmente tocar em um assunto interessante, politizado e que pode acarretar em mudanças? Porque se você o fizer, você é o chato, o ignorado, o censurado, aquele de quem ninguém quer ouvir. Então estamos fadados a levar tudo na brincadeira, a polemizar sobre tudo, a fofocar sobre inutilidades – porque é assim que todos têm feito e não tem muita saída pra gente -, a falar sem sentir, a gostar do que gostam, a publicar imagens pela imagem e a cooperar com toda essa grande ”lavagem cerebral”? Ou será que fomos naturalizados a ter o sistema como imutável porque dessa forma é mais benéfico e organizado para todos? Ou será que, realmente, não é porque todo esse jogo de imagens e publicidade não beneficia muita (pouca) gente? Essas são as regras do jogo e para ganharmos temos apenas que saber jogá-lo? Ou, talvez, seja melhor ressentir, se calar, se importar somente com aquilo que lhe convém e realmente tomar chá (cagar, ligar o foda-se. Expressão cunhada por mim mesmo – Hahahaha) pro resto da humanidade? Com o mindinho levantado e tudo!

Não estou propondo um tópico de respostas para cada pergunta acima. Proponho uma reflexão. Uma discussão. Da qual eu, inclusive, preciso trabalhar melhor.

E vocês? O que acham? Tudo tem se tornado realmente banal e fácil? Mesmo os sentimentos? Tem mudança? Ou é só mais um processo social pelo qual temos passado e que tendências surgem para se institucionalizar como absolutas? Aos que não tem voz nessa brincadeira toda cabe somente observar de fora? Ou é meio que um ”se não pode com eles, junte-se a eles” ? Quem são eles, afinal? Não somos todos uma mesma humanidade? Comentem! Me ajudem.

É isso, gente. Um bom fim de semana e uma Boa Páscoa!

PS: chocolate engorda e dá espinha. :* #fikadik

 

 

 

 

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Comments
4 Responses to “Falar sério? Seriously?”
  1. aaaaaaaaaaaaaa says:

    ninguém liga

  2. Pois é pois, pois é. Querer insistir em assuntos sérios e ser levado como o “jacu” da turma não é de hoje, creio que a internet só acaba explicitando isso. Mas também não vejo o entretenimento desagarrado de uma causa como idiotice ou alienação, acho que todo mundo deve-se dar o direito de rir a toa de vez em quando. O problema é quando fica só nisso :/

    • G says:

      Exatamente! Concordo que uma besteira vez ou outra ajuda a lidar com situações mais sérias de uma vida que já é muito pesada. Rir de um besteirol é sempre bom! Eu, por exemplo, gargalhava com ”Mulheres Ricas”. Mas após a insistência numa segunda temporada sem nada a acrescentar do programa eu, finalmente, cheguei à conclusão que, sim, isso tem me incomodado um pouco. Já tinha dado. ”O problema é quando fica só nisso.”: muito bem resumido.

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